

Um profissional que muitas vezes passa despercebido pelas ruas, mas que é imprescindível para o bem-estar da população. Essa é uma definição que poderia ser aplicada ao gari, profissional que, além de retirar o lixo de vias públicas, capina grama em parques, limpa praias, desinfeta e varre ruas, além de muitas outras funções primordiais na higiene pública. Ontem, dia 16, foi comemorado o Dia do Gari, e muitos deles têm o que comemorar, apesar de todas as dificuldades da profissão.
Nérison Bauer

Felício da Silva Filho fica de fato feliz quando tem o trabalho reconhecido pela população - Foto: Marcio Oliveira
Embora sejam indispensáveis para o serviço de limpeza das cidades, os garis acabam muitas vezes passando pelo fenômeno da invisibilidade pública. Muitas pessoas passam e nem percebem a presença desse operário. Na data dedicada a eles, no entanto, a situação melhora um pouco e os garis acabam demonstrando o orgulho que sentem pelo que fazem.
"Já fui cumprimentado algumas vezes. As pessoas me param e dão parabéns pelo meu dia. Acho que mereço, porque faço meu serviço da melhor maneira possível. É legal quando somos reconhecidos. Pena que nem sempre é assim", contou Felício da Silva Filho, de 64 anos, que é gari desde 1992 e trabalha no Centro de Niterói.
Moradora do Centro, a funcionária pública Suely Fonseca Dias, de 64 anos, deu parabéns a Felício e ressaltou o bom trabalho feito por ele:
"Sempre passo por aqui e está tudo um brinco de tão limpinho. Todos eles estão de parabéns!".
O reconhecimento depende de cada pessoa. A gari Sônia Gomes Távora, de 43 anos, conta que já passou por situações constrangedoras.
"Uma vez estava varrendo a rua, quando um rapaz passou, olhou para mim e fez questão de jogar papel no chão, na minha frente. Não entendi a atitude dele. Infelizmente existem pessoas que não respeitam nossa profissão", desabafou Sônia, que trabalha como gari no Gragoatá, Zona Sul da cidade, há sete anos.
Com longa experiência na profissão, Carlos Eduardo Souza, de 35, lamenta e diz que em seus 13 anos como gari poucas pessoas chegaram e o cumprimentaram:
"Fico triste porque fazemos um trabalho importante para a sociedade. As pessoas, em sua maioria, não dão valor a isso".
Todos os trabalhadores de limpeza pública de Niterói serão homenageados no próximo dia 29, no Teatro Oscar Niemeyer, mais conhecido como Teatro Popular, no Centro.
Nome surgiu em 1895
Um engenheiro francês foi trazido ao Brasil, em 1895, para instalar no Rio de Janeiro um sistema de limpeza urbana. É que ninguém agüentava mais a sujeira da então capital brasileira.
Os funcionários contratados para fazer a coleta e varrer as ruas usavam uma camisa com o nome do engenheiro: Aleixo Gary. Então, foi o sobrenome dele que acabou dando nome a essa profissão: gari.
O Fluminense
Publicado em 16/05/2008
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