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Clin celebra o Julho das Pretas com ações de acolhimento e valorização das mulheres

Na última quinta-feira (30), a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) realizou, em parceria com a Secretaria Municipal da Mulher, o último encontro da programação do ‘Julho das Pretas’ — agenda coletiva de mobilização criada em 2013 pelo Instituto Odara, na Bahia. A atividade foi conduzida por Josiane Silva, pedagoga e professora da área de Educação Inclusiva, que promoveu a roda de conversa ‘Entre o cuidado e a força: vivências, desafios e afetos de mães atípicas’.

O encontro reuniu funcionárias da Companhia que são mães de filhos com desenvolvimento motor, cognitivo, emocional ou social diferente do esperado para a idade, proporcionando um espaço de escuta, acolhimento e troca de experiências.

Durante a roda de conversa, as participantes compartilharam vivências, fortaleceram vínculos e tiveram suas histórias e potencialidades reconhecidas diante dos desafios do cuidado, da sobrecarga e, muitas vezes, da invisibilidade social.

Josiane destacou a importância da iniciativa: “cuidar de quem cuida é um ato de amor. Queremos mostrar a essas mães que elas não estão sozinhas e que também precisam de cuidado em todas as esferas: emocional, física e até estética. A maternidade atípica traz uma sobrecarga muito grande, e muitas acabam se esquecendo de si mesmas e adoecendo”, afirmou.

O encontro foi marcado por relatos emocionantes. Uma das participantes compartilhou os desafios de lidar com a compulsão alimentar do filho de cinco anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela contou que o menino rejeita alimentos da cor verde, cria preferências por determinadas cores em dias específicos, é muito inteligente, fala inglês e se comunica com facilidade. Outra funcionária falou sobre a rotina de cuidados com o filho de 30 anos, que, além do TEA, convive com crises de ansiedade e esquizofrenia.

Para a gari Saldenir (Sol) de Souza, a iniciativa representou um momento de acolhimento e fortalecimento.

“Eu não esperava que a Clin fosse oferecer esse momento para nós, mães atípicas. Foi uma grande oportunidade de estar com pessoas que vivem situações parecidas com a minha. Pudemos desabafar, compartilhar experiências e colocar para fora sentimentos que, muitas vezes, só quem passa por isso consegue entender. Saio daqui renovada e muito feliz”, disse.

Além da roda de conversa, a programação do ‘Julho das Pretas’ contou com outras duas atividades. No dia 15, foi realizada a palestra ‘A literatura que nos une: encontro, diálogo e cumplicidade’, ministrada pela Dra. Lia Vieira — escritora, pesquisadora, doutora em Educação e pioneira da literatura afro-brasileira contemporânea. O encontro contou ainda com a participação de Ana Cristina, representante do Eixo Étnico-Racial e Diversidade da Secretaria Municipal da Mulher.

Já no dia 20, o Coletivo Namíbia Nagô de Trancistas promoveu uma oficina de tranças e de confecção de almofadas produzidas com materiais reutilizados, incentivando práticas sustentáveis e valorizando a cultura afro-brasileira.

O ‘Julho das Pretas’ dedica o mês de julho à valorização da luta, da resistência e do protagonismo das mulheres negras, promovendo reflexões sobre o combate ao racismo, ao sexismo e o fortalecimento da igualdade racial. Na Clin, a programação reafirmou o compromisso da Companhia com a inclusão, o acolhimento e a valorização das mulheres que constroem diariamente a história da instituição.

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